Tuesday, October 27, 2009

"Outono é outra primavera, cada folha uma flor." Albert Camus



"Hot dog, hot dog,
Hot diggety dog
It's a brand new day
Whatcha waiting for?
Get up, stretch out, stomp on the flooooooooooor"

Mais uma manha pacata na pequena ilha...
A musica do Mickey Mouse, rotina certa na manha Disney Channel de uma Nanny, ainda estava fortemente presente em minha mente.
O sol nascia ainda timido por tras dos imponentes predios de Manhattan. As aguas calmas do Hudson River, faziam um belo contraste com a vista agitada dos incessantes taxis amarelinhos, trazendo uma sensacao de paz e conforto...

"Ufa! Agora posso contemplar um pouco essa vista maravilhosa. Depois de muitas insistencias com o pequeno guri, finalmente consegui entrega-lo na porta da sala de aula."
A sensacao de dever cumprido, o calcadao em torno da ilha e meus 6 quilinhos a mais me convidavam para dar um gas numa corridinha matinal. A corrida eh o tipo da coisa que faz voce sentir o oxigenio passando por seu cerebro. Eh como se cada neuronio seu fosse bombarbeado e passasse a funcionar a mil. Eh impressionante como os assuntos jorravam na minha cabeca nesse dia.

"Cortar o cabelo, varrer a casa, ligar para a Angie, fazer a mala do acampamento..." Uma lista de afazeres ia surgindo rapidamente. Mas jah aprendi, sempre que no meio das ideias, comeco a pensar na minha canela dolorida, no ar que parece nao chegar aos pulmoes, tah na hora de dar um tempo na corrida e partir para a caminhada.
Enquanto caminhava, comecei a notar um cobertor sob meus pes. Percebi que de fato esse era um cenario imaginario. Imaginario porque sempre o tive no mundo das ideias. Sempre guardei dos filmes lah no fundo do coracao. Era um desejo secreto de um Outono em Nova Iorque. ;)
Quando vi que ele nao era mais sonho... que aquele cenario estava verdadeiramente diante de mim, nao pude mais continuar minha caminhada. Queria ficar ali, contemplando. Contemplar nao eh observar, nao eh olhar... Eh mais do que isso, contemplar eh compreender, agucar cada sentido, eh registrar cada sensacao, eh capturar o subentendido, eh ler nas entrelinhas!

Contemplei uma arvore! "Que curisoso... Logo uma arvore!" As arvores foram por muito tempo metaforas presentes em um periodo da minha vida.
Naquele dia contemplei uma arvore frondosa que passava a ficar despida. Uma arvore que antes estava tao linda, vistosa, verdiiiinha... Agora estava amarela, com boa parte de suas lindas folhas prostradas, caidas. O vento frio uivava baixinho e sutil no meu ouvido. Era como se aquelas arvores chorassem, como se sofressem a mudanca do tempo.
Da beleza que se transforma, da juventude em velhice e do erro em virtude. A textura tao diferente das folhas ao chao ensinava aos andarilhos. Eh como se cada folha ao chao tivesse uma historia daquela arvore para contar.

Nada fica sempre igual, tudo muda o tempo todo. Aqui, com as estacoes bem decididas, digo... definidas, isso eh mais claro. "Sera que a distancia me faz perceber melhor o tanto que as pessoas vivem de aparencias? Quantas das minhas amizades eram aparencias e quantas eram verdadeiras? Quais sao sentimentos aparentes e quais sao os verdadeiros?"
Aquilo que era bonito, duradouro, vistoso, mostrou-se apenas como beleza passageira. Assim como naquela arvore...
As aparencias...... E o vazio.........
Ha alguns vazios significativos em meu coracao.
Deus comecou a ministar nesses vazios.
Me remeteu a Eclesiastes!

"Vaidade de vaidades, diz o pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade.
Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?
Uma geração vai-se, e outra geração vem, mas a terra permanece para sempre.
O sol nasce, e o sol se põe, e corre de volta ao seu lugar donde nasce.
O vento vai para o sul, e faz o seu giro vai para o norte; volve-se e revolve-se na sua carreira, e retoma os seus circuitos.
Considerei todas as obras que fizeram as minhas maos, como tambem o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atras do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol."


Depois desse texto pedi perdao a Deus, percebi como eu havia corrido atras do vento no ano que passou... Aquilo que para mim era verdadeiro, para muitos, era soh vaidade!!!

"Senhor, nao quero viver de aparencias! Agora eu sei, Deus, que as coisas tem o seu tempo e eu quero viver exatamente no tempo que o Senhor preparou para mim. Obrigada por me trazer aqui e me fazer mexer na minha caixa de pandora. Mexer no meu passado, nas magoas, nas frustacoes e perceber o que tenho de mais importante, de mais valioso, de mais seguro eh aquilo que construo contigo. Nao com homens, nao com meninos, nao com trabalhos, afazeres e muito menos com instituicoes, mas contigo, Papai."

Apos secar algumas lagrimas timidas, mais uma vez olhei para o cenario, respirei fundo e parti. A frente um longo caminho amarelinho, com muitas arvores roxas, vermelhas, marrons em sua margem... Agora entendo o que Nietzsche disse com a seguinte frase: 'Repara que o outono é mais estação da alma do que da natureza.'

Minha alma esta ALEGRE!




Se um dia lágrimas vierem ao seu rosto, não pense no porque! Pense nas folhas do outono, elas não caem porque querem, e sim porque chegou a hora...

3 comments:

  1. falar o que?
    fiquei sem palavras!
    =P

    ja pode escrever um livro talita!

    um dia vou viver essa aventuura! =D

    beeijo

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  2. É verdade, cada dia mais inspiração, mais vida, mais intimidade com Deus.
    Aproveite!
    Bjs

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  3. nossa Tatá... palmas pra vc!!
    quase chorei aqui lendo esse belissimo texto q vc escreveu... lindo mesmo!
    está de parabéns!!
    que Deus te abençoe e te guarde a cada dia +!
    saudades enormes de vc!
    te amo!
    bjaoo

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